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Terapia fotodinâmica em câncer: mecanismos antitumorais e aplicações com relevância clínica


A terapia fotodinâmica (PDT) costuma chamar atenção por um motivo simples: ela usa luz, oxigênio e um fotossensibilizador para provocar dano tumoral de forma direcionada. Mas o que faz essa abordagem ganhar espaço na oncologia não é apenas o efeito local. Seu valor está em combinar destruição tumoral, preservação tecidual e bons resultados cosméticos, especialmente em lesões superficiais e em estágios iniciais [1].

Como a PDT age no câncer

A base da terapia fotodinâmica é a geração de espécies reativas de oxigênio após a ativação do fotossensibilizador pela luz. Esse processo induz morte celular por diferentes vias, como apoptose, necrose e autofagia, além de comprometer componentes importantes da célula tumoral [1][2].

O efeito, porém, não se limita à célula. A PDT também pode causar dano vascular e modular o microambiente tumoral, estimulando respostas inflamatórias e imunes que ampliam o impacto terapêutico [1]. Isso ajuda a explicar por que a técnica vem sendo cada vez mais discutida não apenas como tratamento local, mas como parte de estratégias oncológicas mais amplas.

Onde ela funciona melhor

A evidência mais consistente aparece em tumores superficiais e iniciais, especialmente quando a penetração da luz não é uma limitação importante. Nesses cenários, a PDT pode apresentar resultados de curto prazo equivalentes ou favoráveis aos de cirurgia e radioterapia, com a vantagem de preservar melhor o tecido tratado [3][4].

Esse ponto é particularmente relevante quando o objetivo clínico não é apenas controlar a lesão, mas também evitar cicatrizes extensas, mutilação local ou impacto funcional desnecessário.

O grande atrativo: tratar com menos agressão

Na prática, a PDT se destaca por ser uma abordagem minimamente invasiva, repetível e com benefício cosmético importante [3]. Em oncologia, isso pesa bastante na tomada de decisão, sobretudo em tumores cutâneos e em situações em que a preservação tecidual é prioridade.

Outro diferencial é seu papel potencial em contextos paliativos e em pacientes que não são bons candidatos a cirurgia. Nesses casos, a técnica pode oferecer controle local e alívio de sintomas com menor agressão global ao paciente [1].

Mas ela não substitui a cirurgia em todos os casos

Esse é o ponto que mais precisa de clareza. Embora a PDT tenha bom desempenho em indicações selecionadas, o controle tumoral de longo prazo ainda pode ser inferior ao da cirurgia. Em carcinoma basocelular nodular, por exemplo, a recorrência em cinco anos foi maior com PDT do que com excisão cirúrgica [4].

Em outras palavras: a terapia fotodinâmica pode ser excelente em casos bem indicados, mas não deve ser tratada como substituta universal dos tratamentos padrão.

O futuro da técnica está nas combinações

A tendência mais forte é que a PDT avance quando usada em associação com outras abordagens. A combinação com imunoterapia, por exemplo, vem mostrando efeito sinérgico, especialmente pela capacidade da PDT de induzir morte celular imunogênica e tornar o microambiente tumoral mais responsivo [5].

Outro eixo promissor é a nanotecnologia. Sistemas de entrega mais modernos podem melhorar solubilidade, direcionamento tumoral e controle de liberação do fotossensibilizador, além de ajudar a reduzir limitações como baixa especificidade e hipóxia tumoral [6].

A terapia fotodinâmica já tem um papel real na oncologia, principalmente em tumores superficiais, lesões iniciais e situações em que preservar tecido e estética faz diferença. Seu maior valor está menos na ideia de substituir todos os tratamentos tradicionais e mais na capacidade de ocupar um espaço estratégico, com menos invasividade e grande potencial de combinação terapêutica [1][5][6].

Referências

[1] RAPOZZI, V.; D’ESTE, F.; XODO, L. E. Molecular pathways in cancer response to photodynamic therapy. Journal of Porphyrins and Phthalocyanines, 2019. DOI: 10.1142/S1088424619300064.

 

[2] CASTAÑO, A. P.; DEMIDOVA, T. N.; HAMBLIN, M. R. Mechanisms in photodynamic therapy: Part two - cellular signaling, cell metabolism and modes of cell death. Photodiagnosis and Photodynamic Therapy, 2005. DOI: 10.1016/S1572-1000(05)00030-X.

 

[3] FOLEY, P. Clinical efficacy of methyl aminolevulinate (Metvix®) photodynamic therapy. Journal of Dermatological Treatment, 2003. DOI: 10.1080/753267206.

 

[4] ROOZEBOOM, M. H.; AARDOOM, M. A.; NELEMANS, P. J.; et al. Fractionated 5-aminolevulinic acid photodynamic therapy after partial debulking versus surgical excision for nodular basal cell carcinoma: a randomized controlled trial with at least 5-year follow-up. Journal of the American Academy of Dermatology, 2013. DOI: 10.1016/j.jaad.2013.02.014.

 

[5] SONG, M.; YOON, H.; YOON, H.; et al. Enhanced anticancer efficacy of photodynamic therapy in combination with immunotherapy. Journal of Photochemistry and Photobiology B: Biology, 2024. DOI: 10.1016/j.jphotobiol.2024.113048.

 

[6] TONG, Q.-L.; CHEN, M.-T.; LIN, H.-Z.; et al. Recent progress in delivery systems for photosensitizers and anti-cancer photodynamic therapy. Yaoxue Xuebao, 2023. DOI: 10.16438/j.0513-4870.2023-0503.

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