Ozonioterapia em quadros neurológicos
- Indna Ribeiro Simeão Zenerato
- 9 de mar.
- 3 min de leitura

A ozonioterapia tem sido utilizada na medicina veterinária como abordagem complementar em diferentes condições inflamatórias e degenerativas. Nos quadros neurológicos, seu uso baseia-se principalmente em seus efeitos moduladores do estresse oxidativo, da inflamação e da microcirculação, fatores que participam da fisiopatologia de diversas doenças do sistema nervoso.
Mecanismos de ação relevantes no sistema nervoso
O ozônio medicinal, quando administrado em concentrações terapêuticas controladas, induz um estímulo oxidativo leve e transitório que ativa a via Nrf2. No tecido nervoso, esses efeitos podem contribuir para:
Atenuação do dano secundário pós-lesão
Redução de edema inflamatório
Modulação da dor neuropática
Proteção contra lesão por isquemia–reperfusão
Principais aplicações
Doença do disco intervertebral (DDIV)
É a indicação neurológica mais relatada. O ozônio pode ser aplicado por via:
Paravertebral
Intradiscal (mais descrita na medicina humana)
Sistêmica (auto-hemoterapia maior ou menor)
Possíveis benefícios descritos:
Redução da inflamação perineural
Diminuição da compressão por efeito anti-inflamatório
Analgesia
Recuperação funcional mais rápida quando associado ao tratamento convencional
Entretanto, faltam ensaios clínicos controlados randomizados em larga escala em cães.
Traumatismo raquimedular
Estudos experimentais sugerem que o ozônio pode reduzir o estresse oxidativo secundário à lesão medular e modular mediadores inflamatórios. O racional terapêutico está relacionado à diminuição do dano secundário, que ocorre horas a dias após o trauma inicial.
Encefalopatias hipóxico-isquêmicas
Modelos experimentais indicam que o pré-condicionamento com ozônio pode:
Reduzir marcadores de estresse oxidativo cerebral
Atenuar necrose neuronal
Melhorar parâmetros histológicos
Dor neuropática crônica
A ozonioterapia tem sido utilizada como estratégia adjuvante em casos de:
Radiculopatias
Síndrome da cauda equina
Compressões crônicas
O possível mecanismo envolve modulação inflamatória e redução da sensibilização periférica.
Limitações importantes
Escassez de estudos clínicos randomizados em medicina veterinária
Protocolos heterogêneos (dose, via, frequência)
Pequeno número amostral na maioria dos estudos
Predominância de relatos de caso e séries clínicas
Atualmente, a ozonioterapia em neurologia veterinária deve ser considerada terapia complementar, não substituindo tratamento cirúrgico ou clínico convencional quando indicado.
Conclusão
A ozonioterapia para uso em doenças neurológicas animais, promove modulação do estresse oxidativo e da inflamação. Em condições como doença do disco intervertebral, trauma medular e dor neuropática, pode atuar como terapia adjuvante.
Referências Bibliográficas
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Smith NL, Wilson AL, Gandhi J, et al. Ozone therapy: an overview of pharmacodynamics, current research, and clinical utility. Medical Gas Research. 2017;7(3):212–219. Autoria:
MV.Esp Indna S. Zenerato
CRMV-SP 46.140Graduada em Medicina Veterinária pelo Centro Universitário de Jaguariúna (UNIFAJ). Especialista em Equipamentos Eletromédicos, com pós-graduação em Neurologia de Pequenos Animais e em Medicina Integrativa.
Membro sócia-fundadora da Associação Brasileira de Fototerapia Veterinária (ABRAFVET), atua como Especialista Científico e Educacional Eccovet e é professora convidada em cursos de pós-graduação da Faculdade ANCLIVEPA e SALITAS. Criadora da ZENIAVET, a primeira plataforma de Medicina Integrativa Veterinária do Brasil, já treinou mais de 3 mil médicos-veterinários, além de conduzir mentorias em nível nacional e internacional.




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