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Ozonioterapia em quadros neurológicos


Médico segurando um cerebro

A ozonioterapia tem sido utilizada na medicina veterinária como abordagem complementar em diferentes condições inflamatórias e degenerativas. Nos quadros neurológicos, seu uso baseia-se principalmente em seus efeitos moduladores do estresse oxidativo, da inflamação e da microcirculação, fatores que participam da fisiopatologia de diversas doenças do sistema nervoso.

Mecanismos de ação relevantes no sistema nervoso

O ozônio medicinal, quando administrado em concentrações terapêuticas controladas, induz um estímulo oxidativo leve e transitório que ativa a via Nrf2. No tecido nervoso, esses efeitos podem contribuir para:

  • Atenuação do dano secundário pós-lesão

  • Redução de edema inflamatório

  • Modulação da dor neuropática

  • Proteção contra lesão por isquemia–reperfusão

Principais aplicações

Doença do disco intervertebral (DDIV)

É a indicação neurológica mais relatada. O ozônio pode ser aplicado por via:

  • Paravertebral

  • Intradiscal (mais descrita na medicina humana)

  • Sistêmica (auto-hemoterapia maior ou menor)

Possíveis benefícios descritos:

  • Redução da inflamação perineural

  • Diminuição da compressão por efeito anti-inflamatório

  • Analgesia

  • Recuperação funcional mais rápida quando associado ao tratamento convencional

Entretanto, faltam ensaios clínicos controlados randomizados em larga escala em cães.

Traumatismo raquimedular

Estudos experimentais sugerem que o ozônio pode reduzir o estresse oxidativo secundário à lesão medular e modular mediadores inflamatórios. O racional terapêutico está relacionado à diminuição do dano secundário, que ocorre horas a dias após o trauma inicial.

Encefalopatias hipóxico-isquêmicas

Modelos experimentais indicam que o pré-condicionamento com ozônio pode:

  • Reduzir marcadores de estresse oxidativo cerebral

  • Atenuar necrose neuronal

  • Melhorar parâmetros histológicos

Dor neuropática crônica

A ozonioterapia tem sido utilizada como estratégia adjuvante em casos de:

  • Radiculopatias

  • Síndrome da cauda equina

  • Compressões crônicas

O possível mecanismo envolve modulação inflamatória e redução da sensibilização periférica.

Limitações importantes

  • Escassez de estudos clínicos randomizados em medicina veterinária

  • Protocolos heterogêneos (dose, via, frequência)

  • Pequeno número amostral na maioria dos estudos

  • Predominância de relatos de caso e séries clínicas

Atualmente, a ozonioterapia em neurologia veterinária deve ser considerada terapia complementar, não substituindo tratamento cirúrgico ou clínico convencional quando indicado.

Conclusão

A ozonioterapia  para uso em doenças neurológicas animais, promove modulação do estresse oxidativo e da inflamação. Em condições como doença do disco intervertebral, trauma medular e dor neuropática, pode atuar como terapia adjuvante.


Referências Bibliográficas

Clavo B, Santana-Rodríguez N, Llontop P, et al. Ozone Therapy and Oxidative Stress: A Review. Journal of Clinical Medicine. 2019;8(10):1710. doi:10.3390/jcm8101710

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Smith NL, Wilson AL, Gandhi J, et al. Ozone therapy: an overview of pharmacodynamics, current research, and clinical utility. Medical Gas Research. 2017;7(3):212–219. Autoria:

MV.Esp Indna S. Zenerato

CRMV-SP 46.140Graduada em Medicina Veterinária pelo Centro Universitário de Jaguariúna (UNIFAJ). Especialista em Equipamentos Eletromédicos, com pós-graduação em Neurologia de Pequenos Animais e em Medicina Integrativa.

Membro sócia-fundadora da Associação Brasileira de Fototerapia Veterinária (ABRAFVET), atua como Especialista Científico e Educacional Eccovet e é professora convidada em cursos de pós-graduação da Faculdade ANCLIVEPA e SALITAS. Criadora da ZENIAVET, a primeira plataforma de Medicina Integrativa Veterinária do Brasil, já treinou mais de 3 mil médicos-veterinários, além de conduzir mentorias em nível nacional e internacional.

 
 
 

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