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KPC em Campinas: Superbactéria no Hospital Mário Gatti: O ALERTA DE RESISTÊNCIA EM CAMPINAS

Imagem do Mario Gatti, 2025 . Fonte: Google Maps
Imagem do Mario Gatti, 2025 . Fonte: Google Maps

Nos últimos dias, Campinas voltou sua atenção para um problema que cresce silenciosamente em hospitais do mundo todo: a presença de bactérias altamente resistentes a antibióticos.


Casos envolvendo Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemase (KPC) estão sendo investigados no Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, levando à adoção de medidas rigorosas de controle de infecção. A situação ainda está em acompanhamento pelas equipes hospitalares e autoridades de saúde.

Esse episódio local nos lembra de algo maior: as bactérias estão evoluindo rapidamente — e a medicina precisa evoluir junto.

O que é a KPC?

A sigla KPC vem de Klebsiella pneumoniae carbapenemase, uma enzima produzida por certas bactérias que consegue inativar antibióticos potentes, incluindo os carbapenêmicos — medicamentos normalmente utilizados quando outras opções já não funcionam.

Isso torna essas infecções particularmente desafiadoras, principalmente em ambientes hospitalares como UTIs, onde pacientes frequentemente utilizam:


  • ventilação mecânica

  • cateteres

  • sondas

  • antibióticos de amplo espectro

Essas condições favorecem tanto a seleção de bactérias resistentes quanto sua disseminação.

Um problema global

A resistência antimicrobiana já é considerada pela Organização Mundial da Saúde uma das maiores ameaças à saúde global. Estimativas indicam que, se nenhuma mudança ocorrer, infecções resistentes podem causar milhões de mortes por ano nas próximas décadas.

O motivo principal é conhecido: uso excessivo ou inadequado de antibióticos, tanto na medicina humana quanto na veterinária. Cada vez que um antibiótico é utilizado sem necessidade ou de forma incorreta, aumentamos a pressão evolutiva que favorece as bactérias mais resistentes.

Precisamos de novas estratégias

Antibióticos continuarão sendo fundamentais, mas pesquisadores em todo o mundo também buscam estratégias complementares para controle microbiano, especialmente contra bactérias multirresistentes.


Entre as áreas em estudo estão tecnologias baseadas em processos oxidativos, como:


  • terapia fotodinâmica antimicrobiana

  • uso terapêutico e desinfetante do ozônio



Fotodinâmica: quando a luz ajuda a combater microrganismos

A terapia fotodinâmica antimicrobiana combina três elementos:


  1. uma molécula fotossensibilizadora

  2. uma fonte de luz específica

  3. oxigênio presente no ambiente ou tecido


Quando ativada pela luz, a molécula produz espécies reativas de oxigênio, capazes de danificar membranas, proteínas e DNA bacteriano.


Diferente de muitos antibióticos, que atuam em um único alvo molecular, a fotodinâmica provoca dano oxidativo em múltiplas estruturas da bactéria, o que reduz a probabilidade de desenvolvimento de resistência.

Estudos experimentais mostram que esse método pode reduzir significativamente microrganismos como:


  • Klebsiella

  • Staphylococcus

  • Pseudomonas


principalmente em biofilmes, feridas e superfícies contaminadas.

Ozônio: um oxidante com ação antimicrobiana

Outra abordagem estudada é o uso do ozônio (O₃).

Essa molécula altamente reativa pode danificar microrganismos ao oxidar:


  • lipídios da membrana celular

  • proteínas

  • componentes do material genético


Por essa razão, o ozônio já é utilizado em diferentes contextos de desinfecção, incluindo:


  • tratamento de água

  • esterilização de ambientes

  • algumas aplicações médicas e veterinárias.


Pesquisas sugerem que o ozônio pode ajudar no controle microbiológico de superfícies e biofilmes, áreas críticas em ambientes hospitalares.

Essas tecnologias não substituem antibióticos
Ozonioterapia em ferida infeccionada. Fonte: Cortesia do M.V. Guilherme da Silva. 2026
Ozonioterapia em ferida infeccionada. Fonte: Cortesia do M.V. Guilherme da Silva. 2026

É importante deixar claro: nenhuma dessas abordagens substitui o tratamento médico convencional em infecções graves, como sepse ou bacteremia.


No entanto, elas podem funcionar como ferramentas complementares, ajudando a reduzir carga microbiana em contextos específicos, como:


  • controle de biofilmes

  • descontaminação de superfícies hospitalares

  • tratamento de infecções localizadas.


O que o caso de Campinas nos ensina?

O episódio em Campinas reforça algo que cientistas vêm alertando há anos: a luta contra microrganismos resistentes exige uma abordagem ampla.

Isso inclui:


  • uso racional de antibióticos;

  • vigilância epidemiológica rigorosa;

  • inovação científica;

  • integração entre medicina humana, veterinária e ambiental.


Esse conceito é conhecido como One Health, e reconhece que a saúde humana, animal e ambiental estão profundamente conectadas. Porque no final, a mensagem é simples:


As bactérias estão evoluindo. E a medicina precisa evoluir também.


Autoria:

M.V. Liangrid Nunes. B. Rodrigues

CRMV-SP 61.681

Graduada Medicina Veterinária no Centro Universitário de Jaguariúna (Unifaj); Voluntária no Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares (NEPI) da Unifaj em 2020. Bolsista na Clínica de Pequenos Animais no Hospital Veterinário Unieduk, de Jaguariúna 2020-2022. Aprimoramento em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais pelo Hospital Escola Veterinário de Americana (FAM) (2023 -2024). Ozonioterapeuta veterinária pelo instituto Bioethcus (2025). Assistente de pesquisa e desenvolvimento na Eccovet com foco em Biofotônica e Fotobiomodulação.

 
 
 

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