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Fototerapia pode ser utilizada em peixes? Como ela atua no organismo?


A fototerapia, quando utilizada com fins terapêuticos, é uma técnica baseada na aplicação de luz em comprimentos de onda específicos para estimular respostas biológicas nos tecidos. Amplamente empregada na medicina veterinária em mamíferos, essa abordagem também vem despertando interesse crescente na medicina de animais aquáticos e na aquicultura.

Sim, a fototerapia pode ser utilizada em peixes, e seus mecanismos de ação seguem princípios fisiológicos bem estabelecidos, embora ainda existam desafios quanto à padronização de protocolos entre espécies. Na medicina de peixes, a fototerapia pode utilizar diferentes comprimentos de onda, e cada faixa do espectro luminoso apresenta propriedades biológicas específicas. A escolha da luz depende do objetivo terapêutico, da profundidade do tecido-alvo e do tipo de patologia envolvida.

A luz âmbar: tem sido associada à estimulação metabólica moderada e à melhora da microcirculação superficial, podendo auxiliar em processos cicatriciais iniciais e em lesões cutâneas leves. A luz violeta: apresenta potencial antimicrobiano mais superficial,seus efeitos são semelhante ao da luz azul, com possível efeito adicional na modulação inflamatória superficial, embora ainda existam menos estudos específicos em peixes.

A luz azul: destaca-se pela ação antimicrobiana direta. Ela atua sobre porfirinas e outros compostos fotossensíveis presentes em bactérias, levando à formação de espécies reativas de oxigênio que danificam membranas e estruturas celulares dos microrganismos. Pode ser útil no manejo de infecções cutâneas superficiais, ajudando a reduzir a carga bacteriana local.

A luz verde: possui efeito intermediário de penetração tecidual e pode contribuir para cicatrização tecidual, principalmente em queimaduras.

A luz vermelha: é uma das mais utilizadas na fotobiomodulação, sua principal função é favorecer a proliferação celular, a síntese de colágeno, a angiogênese e a modulação de citocinas inflamatórias, sendo amplamente indicada para cicatrização de feridas, inflamações e regeneração tecidual.

Já o infravermelho: apresenta maior capacidade de penetração, alcançando tecidos mais profundos. É especialmente indicado quando se busca efeito anti-inflamatório mais intenso, analgesia.

Para que a fototerapia seja eficaz em peixes, alguns cuidados técnicos são fundamentais. O procedimento deve ser realizado, preferencialmente, com o animal devidamente anestesiado, garantindo imobilidade, redução do estresse. Além disso, a região a ser tratada deve estar seca no momento da aplicação. A presença de água interfere na transmissão e dispersa parte da energia luminosa, reduzindo a quantidade efetivamente absorvida pelo tecido. A secagem cuidadosa da área permite maior penetração e melhor aproveitamento da dose terapêutica.

Entre as principais patologias e condições em que a fototerapia pode ser aplicada em peixes, destacam-se:

  • Úlceras cutâneas bacterianas

  • Feridas traumáticas (manejo, transporte, agressões)

  • Lesões pós-cirúrgicas

  • Dermatites e erosões epiteliais

  • Lesões associadas a parasitos externos

  • Processos inflamatórios musculares superficiais

  • Queimaduras por aquecedores submersos defeituosos, mal posicionados ou sem proteção adequada.

  • Auxílio na recuperação após procedimentos invasivos

A fototerapia deve ser encarada como terapia complementar, integrada a um protocolo clínico que inclua diagnóstico adequado, controle da qualidade da água e, quando necessário, tratamento farmacológico. A definição do comprimento de onda, da dose (J/cm²), do tempo de aplicação e da frequência das sessões deve considerar a espécie, o porte do animal, a profundidade da lesão e o objetivo terapêutico.


Referências Bibliográficas

Hamblin, M. R. (2017). Mechanisms and applications of the anti-inflammatory effects of photobiomodulation. AIMS Biophysics, 4(3), 337–361.

Karu, T. I. (1999). Primary and secondary mechanisms of action of visible to near-IR radiation on cells. Journal of Photochemistry and Photobiology B: Biology, 49(1), 1–17.

Martins, M. L., & Romero, N. G. (2017). Immunomodulatory effects in fish. Fish & Shellfish Immunology, 67, 62–75.



Autoria:

MV.Esp Indna S. Zenerato

CRMV-SP 46.140 Graduada em Medicina Veterinária pelo Centro Universitário de Jaguariúna (UNIFAJ). Especialista em Equipamentos Eletromédicos, com pós-graduação em Neurologia de Pequenos Animais e em Medicina Integrativa.

Membro sócia-fundadora da Associação Brasileira de Fototerapia Veterinária (ABRAFVET), atua como Especialista Científico e Educacional Eccovet e é professora convidada em cursos de pós-graduação da Faculdade ANCLIVEPA e SALITAS.Criadora da ZENIAVET, a primeira plataforma de Medicina Integrativa Veterinária do Brasil, já treinou mais de 3 mil médicos-veterinários, além de conduzir mentorias em nível nacional e internacional.

 
 
 

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