Quais os efeitos da Névoa Ozonizada?É seguro? Quais benefícios na medicina veterinária?
- Indna Ribeiro Simeão Zenerato

- há 6 dias
- 4 min de leitura
A ozonioterapia tem conquistado cada vez mais espaço na medicina veterinária devido às suas diversas aplicações clínicas. Entre as formas mais modernas de utilização está a névoa ozonizada, tecnologia que permite a aplicação tópica do ozônio em uma fina névoa, promovendo contato uniforme com tecidos e lesões. No entanto, uma das dúvidas mais frequentes entre médicos-veterinários é: a névoa ozonizada é segura para o paciente e para o profissional?
Neste artigo, reunimos informações baseadas em evidências científicas sobre os efeitos e a segurança da exposição ao ozônio durante esse tipo de terapia.

O que é a névoa ozonizada?
A névoa ozonizada consiste na dispersão de microgotículas enriquecidas com ozônio, formando uma névoa que entra em contato com a superfície da pele, feridas ou mucosas. Diferentemente da insuflação de gás ozônio, a maior parte do ozônio encontra-se dissolvida nas microgotículas, reduzindo significativamente sua dispersão no ambiente.
Essa característica permite uma aplicação mais homogênea, favorecendo o tratamento de:
Feridas agudas e crônicas;
Dermatites;
Lesões contaminadas;
Queimaduras;
Afecções podais;
Cuidados pós-operatórios;
Desinfecção superficial de tecidos.
Além da praticidade, a névoa proporciona maior cobertura em regiões irregulares ou de difícil acesso.
Como o ozônio atua nos tecidos?
O ozônio (O₃) é uma molécula altamente reativa. Quando entra em contato com líquidos biológicos, reage rapidamente formando espécies reativas de oxigênio (ROS) e produtos da oxidação lipídica (LOPs), que funcionam como mensageiros celulares.
Esses mediadores promovem diversos efeitos biológicos, entre eles:
modulação da resposta inflamatória;
estímulo da circulação local;
aumento da oxigenação tecidual;
ativação de mecanismos antioxidantes;
ação antimicrobiana contra bactérias, fungos e diversos vírus;
estímulo ao processo de cicatrização.
Esses efeitos já foram descritos em revisões científicas publicadas por autores como Bocci, Elvis & Ekta e na Declaração de Madri sobre Ozonioterapia, documento amplamente utilizado como referência internacional.
A névoa ozonizada é segura?
Essa é uma pergunta importante.
O ozônio inalado em concentrações elevadas pode causar irritação das vias respiratórias. Por esse motivo, aplicações utilizando gás ozônio exigem cuidados específicos para evitar exposição ocupacional.
Entretanto, a tecnologia da névoa ozonizada apresenta uma dinâmica diferente.
Como o ozônio permanece dissolvido nas microgotículas durante a aplicação, há uma redução importante da quantidade de gás livre disperso no ambiente quando comparada às aplicações abertas de ozônio gasoso.
Além disso, equipamentos desenvolvidos especificamente para essa finalidade utilizam:
controle preciso da concentração de ozônio;
tempo de aplicação programado;
produção contínua e controlada da névoa;
sistemas que minimizam desperdícios.
Na prática clínica, quando utilizados conforme as recomendações do fabricante e em ambientes adequadamente ventilados, os níveis de exposição tendem a permanecer muito inferiores aos observados em aplicações abertas de gás.
O que dizem as normas de segurança?
Diversos órgãos internacionais estabeleceram limites de exposição ocupacional ao ozônio.
Entre eles:
OSHA (Occupational Safety and Health Administration): limite de 0,1 ppm para jornadas de até 8 horas.
NIOSH (National Institute for Occupational Safety and Health): recomenda manter concentrações abaixo de 0,1 ppm durante a exposição ocupacional.
ACGIH (American Conference of Governmental Industrial Hygienists) também estabelece limites semelhantes dependendo da carga de trabalho.
Esses valores reforçam a importância de utilizar equipamentos desenvolvidos para uso clínico, com geração controlada de ozônio, evitando improvisações ou sistemas industriais adaptados.
A névoa representa risco ao paciente?
Quando aplicada corretamente, a resposta é não.
Na medicina veterinária, o ozônio já é utilizado há décadas em diversas vias de administração com excelente perfil de segurança quando respeitados:
concentração adequada;
tempo de aplicação;
indicação clínica;
protocolos corretos.
A névoa ozonizada atua superficialmente, sendo especialmente interessante para lesões cutâneas, onde o ozônio reage rapidamente com os fluidos presentes na pele, exercendo sua ação local sem permanecer ativo por longos períodos.
Benefícios observados na prática clínica
Embora os resultados variem conforme a doença tratada, diversos estudos relatam benefícios como:
redução da carga microbiana;
diminuição do odor em feridas contaminadas;
aceleração da formação de tecido de granulação;
redução do processo inflamatório;
melhora da cicatrização;
auxílio no controle de infecções superficiais.
Esses efeitos tornam a técnica uma importante ferramenta complementar em protocolos de medicina integrativa.
O diferencial da tecnologia ECCOVET
A tecnologia de névoa ozonizada desenvolvida pela ECCOVET foi projetada para oferecer praticidade e segurança durante o atendimento clínico.
Entre seus diferenciais destacam-se:
produção controlada da névoa ozonizada;
aplicação uniforme sobre toda a área tratada;
dispensa o uso de cilindros de oxigênio, reduzindo custos operacionais e dependência logística;
equipamento portátil e de fácil utilização;
possibilidade de incorporar a terapia à rotina clínica de forma rápida e prática.
Além disso, a ausência da necessidade de cilindros facilita o transporte e amplia a disponibilidade da terapia em diferentes ambientes de atendimento.
Conclusão
A névoa ozonizada representa uma evolução importante na aplicação tópica da ozonioterapia veterinária. Ao combinar a ação biológica do ozônio com um sistema de dispersão em microgotículas, a tecnologia proporciona aplicações mais homogêneas, práticas e com menor potencial de exposição ambiental quando comparada ao uso aberto do gás ozônio.
As evidências científicas demonstram que, quando utilizada dentro dos protocolos estabelecidos e com equipamentos desenvolvidos para uso clínico, a técnica apresenta um excelente perfil de segurança, tanto para os pacientes quanto para os profissionais.
Com o crescimento da medicina veterinária integrativa, tecnologias como a névoa ozonizada ampliam as possibilidades terapêuticas, oferecendo suporte à cicatrização, ao controle microbiológico e à recuperação tecidual de forma segura e eficiente.
Referências
Bocci, V. Ozone: A New Medical Drug. Springer.
Bocci, V., Zanardi, I., & Travagli, V. Ozone acting on human blood yields a hormetic dose-response relationship. Journal of Translational Medicine.
Elvis, A. M., & Ekta, J. Ozone therapy: A clinical review. Journal of Natural Science, Biology and Medicine, 2011.
ISCO3 – International Scientific Committee of Ozone Therapy. Madrid Declaration on Ozone Therapy (última atualização).
Occupational Safety and Health Administration (OSHA). Occupational exposure limits for ozone.
National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH). Pocket Guide to Chemical Hazards – Ozone.
American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH). Threshold Limit Values for Chemical Substances.




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