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Como o Laser e o LED Atuam nas Doenças Dermatológicas

O uso do laser de baixa intensidade (Low-Level Laser Therapy – LLLT) e do LED

terapêutico — ambos dentro do conceito de fotobiomodulação (PBM – Photobiomodulation Therapy) — tem ganhado destaque no tratamento de doenças dermatológicas na Medicina Humana e Veterinária.

Essas tecnologias utilizam comprimentos de onda específicos da luz para modular processos biológicos, promovendo reparação tecidual, controle inflamatório e melhora da cicatrização.

Mas afinal, como isso acontece na prática?

O que é Fotobiomodulação?

A fotobiomodulação é o uso terapêutico da luz não ionizante (laser ou LED) em comprimentos de onda geralmente entre 600 e 1.100 nm, capazes de penetrar nos tecidos e interagir com estruturas celulares específicas.

Segundo Hamblin (2017), o principal alvo intracelular da fotobiomodulação é a citocromo c oxidase, enzima presente na cadeia respiratória mitocondrial. Ao absorver fótons, ocorre:

  • Aumento da produção de ATP

  • Modulação do estresse oxidativo

  • Liberação de óxido nítrico

  • Ativação de vias de sinalização celular

O resultado é uma resposta anti-inflamatória, analgésica e bioestimuladora.

Mecanismos de Ação na Dermatologia

1. Ação Anti-inflamatória

A luz terapêutica reduz citocinas pró-inflamatórias como TNF-α e IL-1β e pode modular a atividade de mastócitos e macrófagos.

De acordo com a revisão de Avci et al. (2013), a fotobiomodulação regula mediadores inflamatórios, sendo útil em condições como:

  • Dermatites alérgicas

  • Dermatite atópica

  • Pododermatites

  • Lesões inflamatórias crônicas


2. Estímulo à Cicatrização

O laser e o LED estimulam:

  • Proliferação de fibroblastos

  • Síntese de colágeno

  • Angiogênese

  • Migração celular

Em estudo clássico, Mester et al. (1985) demonstraram aceleração significativa da cicatrização com o uso de laser de baixa intensidade.

Na prática veterinária, isso é extremamente útil em:

  • Feridas cirúrgicas

  • Úlceras de pressão

  • Lesões traumáticas

  • Feridas de difícil cicatrização

3. Controle de Infecções e Biofilme

Embora o laser de baixa intensidade não seja bactericida direto como lasers cirúrgicos de alta potência, há evidências de que a fotobiomodulação pode:

  • Modular resposta imune local

  • Reduzir edema

  • Melhorar oxigenação tecidual

Além disso, determinados comprimentos de onda do LED azul demonstram efeito antimicrobiano sobre algumas bactérias, conforme relatado por Dai et al. (2012).

4. Modulação da Dor e Prurido

A redução do prurido ocorre pela modulação de fibras nervosas sensoriais e diminuição de mediadores inflamatórios.

Chow et al. (2009) demonstraram efeito analgésico significativo da fotobiomodulação em condições musculoesqueléticas, mecanismo que também se aplica à dor cutânea e inflamatória.

Laser vs LED: Existe diferença?

Ambos atuam pelo mesmo princípio biológico (fotobiomodulação), porém:

  • Laser: luz coerente, colimada

  • LED: luz não coerente, mais difusa

Segundo Barolet (2008), clinicamente ambos podem ser eficazes, desde que utilizados com parâmetros adequados (comprimento de onda, dose, tempo e frequência).

Na dermatologia, o LED é frequentemente utilizado em áreas maiores e superficiais, enquanto o laser pode oferecer maior precisão em lesões localizadas.

Aplicações Clínicas em Dermatologia Veterinária

Na prática clínica, a fotobiomodulação pode ser indicada como terapia complementar em:

  • Dermatite atópica

  • Hot spot (dermatite úmida aguda)

  • Feridas abertas

  • Deiscência de sutura

  • Queimaduras

  • Otites externas (com protocolos específicos)

  • Pododermatites crônicas

Importante destacar que a terapia não substitui o diagnóstico e o tratamento da causa primária, mas atua como importante modulador inflamatório e acelerador de reparação.

Segurança e Evidência Científica

A fotobiomodulação é considerada segura quando aplicada com parâmetros corretos. Segundo a World Association for Photobiomodulation Therapy (WALT), a dose é fator determinante para o sucesso terapêutico.

O efeito dose-dependente segue o princípio da curva bifásica de Arndt-Schulz, onde doses muito baixas podem ser ineficazes e doses excessivas podem inibir a resposta celular (Huang et al., 2009).

Conclusão

Na Medicina Veterinária Integrativa, a fotobiomodulação se consolida como recurso terapêutico complementar eficaz, seguro e baseado em mecanismos fisiológicos bem estabelecidos.

O sucesso clínico depende da correta escolha de parâmetros, avaliação individual do paciente e integração com o protocolo dermatológico completo.

Referências Bibliográficas

Avci, P., Gupta, A., Sadasivam, M., Vecchio, D., Pam, Z., Pam, N., & Hamblin, M. R. (2013). Low-level laser (light) therapy (LLLT) in skin: stimulating, healing, restoring. Seminars in Cutaneous Medicine and Surgery, 32(1), 41–52.

Barolet, D. (2008). Light-emitting diodes (LEDs) in dermatology. Seminars in Cutaneous Medicine and Surgery, 27(4), 227–238.

Chow, R. T., Johnson, M. I., Lopes-Martins, R. Á. B., & Bjordal, J. M. (2009). Efficacy of low-level laser therapy in the management of neck pain: a systematic review and meta-analysis. The Lancet, 374(9705), 1897–1908.

Dai, T., Gupta, A., Murray, C. K., Vrahas, M. S., Tegos, G. P., & Hamblin, M. R. (2012). Blue light for infectious diseases: Propionibacterium acnes, Helicobacter pylori, and beyond? Drug Resistance Updates, 15(4), 223–236.

Hamblin, M. R. (2017). Mechanisms and applications of the anti-inflammatory effects of photobiomodulation. AIMS Biophysics, 4(3), 337–361.

Huang, Y. Y., Chen, A. C. H., Carroll, J. D., & Hamblin, M. R. (2009). Biphasic dose response in low level light therapy. Dose-Response, 7(4), 358–383.

Mester, E., Mester, A. F., & Mester, A. (1985). The biomedical effects of laser application. Lasers in Surgery and Medicine, 5(1), 31–39.



Autoria:

MV.Esp Indna S. Zenerato

CRMV-SP 46.140Graduada em Medicina Veterinária pelo Centro Universitário de Jaguariúna (UNIFAJ). Especialista em Equipamentos Eletromédicos, com pós-graduação em Neurologia de Pequenos Animais e em Medicina Integrativa.

Membro sócia-fundadora da Associação Brasileira de Fototerapia Veterinária (ABRAFVET), atua como Especialista Científico e Educacional Eccovet e é professora convidada em cursos de pós-graduação da Faculdade ANCLIVEPA e SALITAS.Criadora da ZENIAVET, a primeira plataforma de Medicina Integrativa Veterinária do Brasil, já treinou mais de 3 mil médicos-veterinários, além de conduzir mentorias em nível nacional e internacional.

 
 
 

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