Como o Laser e o LED Atuam nas Doenças Dermatológicas
- Indna Ribeiro Simeão Zenerato
- 26 de fev.
- 4 min de leitura

O uso do laser de baixa intensidade (Low-Level Laser Therapy – LLLT) e do LED
terapêutico — ambos dentro do conceito de fotobiomodulação (PBM – Photobiomodulation Therapy) — tem ganhado destaque no tratamento de doenças dermatológicas na Medicina Humana e Veterinária.
Essas tecnologias utilizam comprimentos de onda específicos da luz para modular processos biológicos, promovendo reparação tecidual, controle inflamatório e melhora da cicatrização.
Mas afinal, como isso acontece na prática?
O que é Fotobiomodulação?
A fotobiomodulação é o uso terapêutico da luz não ionizante (laser ou LED) em comprimentos de onda geralmente entre 600 e 1.100 nm, capazes de penetrar nos tecidos e interagir com estruturas celulares específicas.
Segundo Hamblin (2017), o principal alvo intracelular da fotobiomodulação é a citocromo c oxidase, enzima presente na cadeia respiratória mitocondrial. Ao absorver fótons, ocorre:
Aumento da produção de ATP
Modulação do estresse oxidativo
Liberação de óxido nítrico
Ativação de vias de sinalização celular
O resultado é uma resposta anti-inflamatória, analgésica e bioestimuladora.
Mecanismos de Ação na Dermatologia
1. Ação Anti-inflamatória
A luz terapêutica reduz citocinas pró-inflamatórias como TNF-α e IL-1β e pode modular a atividade de mastócitos e macrófagos.
De acordo com a revisão de Avci et al. (2013), a fotobiomodulação regula mediadores inflamatórios, sendo útil em condições como:
Dermatites alérgicas
Dermatite atópica
Pododermatites
Lesões inflamatórias crônicas
2. Estímulo à Cicatrização
O laser e o LED estimulam:
Proliferação de fibroblastos
Síntese de colágeno
Angiogênese
Migração celular
Em estudo clássico, Mester et al. (1985) demonstraram aceleração significativa da cicatrização com o uso de laser de baixa intensidade.
Na prática veterinária, isso é extremamente útil em:
Feridas cirúrgicas
Úlceras de pressão
Lesões traumáticas
Feridas de difícil cicatrização
3. Controle de Infecções e Biofilme
Embora o laser de baixa intensidade não seja bactericida direto como lasers cirúrgicos de alta potência, há evidências de que a fotobiomodulação pode:
Modular resposta imune local
Reduzir edema
Melhorar oxigenação tecidual
Além disso, determinados comprimentos de onda do LED azul demonstram efeito antimicrobiano sobre algumas bactérias, conforme relatado por Dai et al. (2012).
4. Modulação da Dor e Prurido
A redução do prurido ocorre pela modulação de fibras nervosas sensoriais e diminuição de mediadores inflamatórios.
Chow et al. (2009) demonstraram efeito analgésico significativo da fotobiomodulação em condições musculoesqueléticas, mecanismo que também se aplica à dor cutânea e inflamatória.
Laser vs LED: Existe diferença?
Ambos atuam pelo mesmo princípio biológico (fotobiomodulação), porém:
Laser: luz coerente, colimada
LED: luz não coerente, mais difusa
Segundo Barolet (2008), clinicamente ambos podem ser eficazes, desde que utilizados com parâmetros adequados (comprimento de onda, dose, tempo e frequência).
Na dermatologia, o LED é frequentemente utilizado em áreas maiores e superficiais, enquanto o laser pode oferecer maior precisão em lesões localizadas.
Aplicações Clínicas em Dermatologia Veterinária
Na prática clínica, a fotobiomodulação pode ser indicada como terapia complementar em:

Dermatite atópica
Hot spot (dermatite úmida aguda)
Feridas abertas
Deiscência de sutura
Queimaduras
Otites externas (com protocolos específicos)
Pododermatites crônicas
Importante destacar que a terapia não substitui o diagnóstico e o tratamento da causa primária, mas atua como importante modulador inflamatório e acelerador de reparação.
Segurança e Evidência Científica
A fotobiomodulação é considerada segura quando aplicada com parâmetros corretos. Segundo a World Association for Photobiomodulation Therapy (WALT), a dose é fator determinante para o sucesso terapêutico.
O efeito dose-dependente segue o princípio da curva bifásica de Arndt-Schulz, onde doses muito baixas podem ser ineficazes e doses excessivas podem inibir a resposta celular (Huang et al., 2009).
Conclusão
Na Medicina Veterinária Integrativa, a fotobiomodulação se consolida como recurso terapêutico complementar eficaz, seguro e baseado em mecanismos fisiológicos bem estabelecidos.
O sucesso clínico depende da correta escolha de parâmetros, avaliação individual do paciente e integração com o protocolo dermatológico completo.
Referências Bibliográficas
Avci, P., Gupta, A., Sadasivam, M., Vecchio, D., Pam, Z., Pam, N., & Hamblin, M. R. (2013). Low-level laser (light) therapy (LLLT) in skin: stimulating, healing, restoring. Seminars in Cutaneous Medicine and Surgery, 32(1), 41–52.
Barolet, D. (2008). Light-emitting diodes (LEDs) in dermatology. Seminars in Cutaneous Medicine and Surgery, 27(4), 227–238.
Chow, R. T., Johnson, M. I., Lopes-Martins, R. Á. B., & Bjordal, J. M. (2009). Efficacy of low-level laser therapy in the management of neck pain: a systematic review and meta-analysis. The Lancet, 374(9705), 1897–1908.
Dai, T., Gupta, A., Murray, C. K., Vrahas, M. S., Tegos, G. P., & Hamblin, M. R. (2012). Blue light for infectious diseases: Propionibacterium acnes, Helicobacter pylori, and beyond? Drug Resistance Updates, 15(4), 223–236.
Hamblin, M. R. (2017). Mechanisms and applications of the anti-inflammatory effects of photobiomodulation. AIMS Biophysics, 4(3), 337–361.
Huang, Y. Y., Chen, A. C. H., Carroll, J. D., & Hamblin, M. R. (2009). Biphasic dose response in low level light therapy. Dose-Response, 7(4), 358–383.
Mester, E., Mester, A. F., & Mester, A. (1985). The biomedical effects of laser application. Lasers in Surgery and Medicine, 5(1), 31–39.
Autoria:
MV.Esp Indna S. Zenerato
CRMV-SP 46.140Graduada em Medicina Veterinária pelo Centro Universitário de Jaguariúna (UNIFAJ). Especialista em Equipamentos Eletromédicos, com pós-graduação em Neurologia de Pequenos Animais e em Medicina Integrativa.
Membro sócia-fundadora da Associação Brasileira de Fototerapia Veterinária (ABRAFVET), atua como Especialista Científico e Educacional Eccovet e é professora convidada em cursos de pós-graduação da Faculdade ANCLIVEPA e SALITAS.Criadora da ZENIAVET, a primeira plataforma de Medicina Integrativa Veterinária do Brasil, já treinou mais de 3 mil médicos-veterinários, além de conduzir mentorias em nível nacional e internacional.




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