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Tempo de aplicação da névoa ozonizada na otite externa de cães: por que o protocolo faz diferença?

A otite externa é uma das enfermidades mais frequentes na clínica de pequenos animais, representando cerca de 22% dos casos dermatológicos e acometendo até 20% da população canina. Caracterizada pela inflamação do conduto auditivo externo, a doença provoca dor, prurido, secreção e desconforto, comprometendo significativamente a qualidade de vida dos cães e de seus tutores. Nos casos crônicos ou recorrentes, o tratamento torna-se ainda mais desafiador devido à formação de biofilmes e à presença de microrganismos resistentes, como Pseudomonas spp., além de leveduras como Malassezia pachydermatis.

Embora o tratamento convencional seja baseado na limpeza do conduto auditivo associada ao uso de anti-inflamatórios e antimicrobianos tópicos, a busca por terapias complementares capazes de reduzir a inflamação, controlar a infecção e minimizar o uso de antibióticos tem impulsionado o desenvolvimento de novas tecnologias. Nesse cenário, a névoa ozonizada surge como uma alternativa promissora.

Recentemente, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) apresentaram, durante o 8º Encontro Científico Internacional de Ozonioterapia, um estudo cujo objetivo foi propor e validar um protocolo de tempo de aplicação da névoa ozonizada para o tratamento da otite externa em cães. O trabalho surgiu da necessidade de padronizar a utilização do equipamento NévoaVet O3 (Eccovet), que produz água ozonizada em microgotículas e possui concentração fixa de ozônio, tornando o tempo de exposição a principal variável terapêutica.

Para isso, os autores desenvolveram uma tabela baseada na escala OTIS3 (Otitis Index Scores 0-3), ferramenta utilizada para classificar a gravidade da otite por meio da avaliação de eritema, edema, secreção e dor/prurido. O protocolo estabeleceu um tempo inicial de cinco minutos por orelha, acrescido de um a sete minutos conforme a pontuação obtida na escala, totalizando aplicações entre seis e doze minutos.

A eficácia desse protocolo foi avaliada em cinco cães, totalizando dez orelhas acometidas por otite externa crônica ou recorrente, todos sem resposta satisfatória ao tratamento convencional nos 60 dias anteriores. Os animais foram submetidos a duas sessões semanais durante seis semanas consecutivas, completando doze aplicações. Paralelamente, os tutores realizaram apenas a higienização diária das orelhas com solução fisiológica 0,9%, sem a utilização de outros produtos tópicos. Durante todo o acompanhamento foram realizadas avaliações clínicas utilizando a escala OTIS3, escala visual analógica de prurido (EVA), termografia e exames microbiológicos por bacterioscopia e cultura.

Os resultados demonstraram resposta clínica positiva em todos os pacientes. A partir da quinta sessão já foi possível observar redução da inflamação pela termografia, enquanto os escores da OTIS3 e da EVA diminuíram progressivamente ao longo do tratamento. Os exames microbiológicos evidenciaram eliminação de leveduras e bactérias, incluindo agentes frequentemente relacionados às otites de difícil tratamento, como Pseudomonas e Citrobacter. Ao final do protocolo, 80% dos cães apresentaram resolução clínica completa, enquanto os 20% restantes obtiveram melhora parcial, necessitando apenas da associação posterior de antimicrobianos tópicos.

Segundo os autores, esses resultados reforçam o potencial da névoa ozonizada como terapia adjuvante no tratamento da otite externa canina. O ozônio exerce importante ação antimicrobiana por meio da oxidação das membranas celulares de bactérias e fungos, além de romper biofilmes e reduzir a carga microbiana local. Essa ação direta pode contribuir para diminuir a necessidade do uso de antimicrobianos, aspecto especialmente relevante diante do crescimento da resistência bacteriana na medicina veterinária.

Outro ponto de destaque do estudo foi demonstrar que o sucesso do tratamento não depende apenas do equipamento utilizado, mas também da correta padronização do protocolo clínico. Como a concentração do ozônio produzida pela névoa é constante, a adequação do tempo de aplicação conforme a gravidade da lesão permite individualizar a terapia, aumentando sua segurança e eficácia.

Embora o número de pacientes avaliados ainda seja pequeno, esta pesquisa representa um importante avanço para a ozonioterapia veterinária, fornecendo um protocolo prático e baseado em evidências para utilização clínica da névoa ozonizada em casos de otite externa. Estudos futuros com maior número de animais certamente contribuirão para consolidar esses resultados, mas as evidências atuais já demonstram que a técnica possui grande potencial para integrar os protocolos terapêuticos da rotina veterinária.

Quando empregada de forma criteriosa, associada ao diagnóstico adequado e ao acompanhamento clínico, a névoa ozonizada oferece uma alternativa segura para reduzir a inflamação, controlar infecções e favorecer a recuperação dos pacientes, contribuindo para maior conforto dos animais e melhor qualidade de vida.

Referência

GUIRRO, E. C. B. P.; SAWADA, C. M. Tempo de Aplicação de Névoa Ozonizada no Tratamento de Otite Externa de Cães. Anais do 8º Encontro Científico Internacional de Ozonioterapia (IBO3A), 2026.

 
 
 

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