Névoa Ozonizada: Como evitar 4 erros que comprometem a eficácia?
- Liangrid Nunes Barroso Rodrigues
- 9 de jan.
- 3 min de leitura
A névoa ozonizada é uma ferramenta consolidada e altamente eficiente para a sanitização de ambientes e superfícies, graças ao elevado poder oxidante do ozônio (O₃), capaz de inativar bactérias, fungos e vírus de forma rápida e sustentável.

Fig.1. Infográfico erros comuns que comprometem o uso da névoa ozonizada. 2026.
Para que essa eficiência seja plenamente alcançada, é indispensável compreender que o desempenho do ozônio está diretamente relacionado às condições técnicas de preparo e aplicação. Pequenos desvios nesses parâmetros podem comprometer a estabilidade do ozônio e reduzir sua ação sanitizante.
Este artigo tem como objetivo identificar os principais erros que comprometem o tratamento com a névoa ozonizada e, sobretudo, orientar como evitá-los, garantindo máxima eficácia, segurança e previsibilidade no uso da tecnologia.
Como o ozônio atua: princípios que não podem ser ignorados
O ozônio é um dos agentes oxidantes mais potentes disponíveis para uso sanitizante. Sua ação ocorre por meio da oxidação de componentes essenciais dos microrganismos, como membranas celulares, proteínas e ácidos nucleicos, levando à inativação rápida de bactérias, fungos e vírus.
No entanto, trata-se de uma molécula altamente instável, com meia-vida curta, cuja eficácia depende diretamente de fatores como qualidade da água, temperatura, presença de metais e carga orgânica do ambiente. O descontrole de qualquer um desses fatores compromete o desempenho do processo.
PRINCIPAIS ERROS TÉCNICOS NO USO DA NÉVOA OZONIZADA
PRIMEIRO ERRO
Uso de água inadequada
A utilização de água de torneira sem tratamento adequado é um dos principais fatores que comprometem a eficiência da névoa ozonizada. A água de abastecimento público contém cloro, cloraminas, metais dissolvidos e matéria orgânica residual, substâncias que reagem rapidamente com o ozônio.
Essa reação consome o ozônio antes que ele possa exercer sua ação sanitizante, reduzindo drasticamente a concentração efetiva de O₃ na névoa.
Como evitar:
Recomenda-se o uso de água previamente tratada, como:
Água filtrada por carvão ativado
Água desclorada
Água deionizada
Água obtida por osmose reversa
Padrão ouro: água bidestilada
SEGUNDO ERRO
Temperatura da água: um detalhe crítico para a estabilidade do ozônio
A temperatura da água exerce influência direta sobre a solubilidade e a estabilidade do ozônio. Em temperaturas elevadas, o O₃ se decompõe rapidamente em oxigênio, reduzindo seu potencial oxidante.
A faixa ideal para a preparação da água ozonizada situa-se entre 4 e 10 °C, intervalo no qual o ozônio apresenta maior estabilidade e tempo de ação.
Como evitar:
Resfriar a água antes do processo de ozonização é uma medida simples, segura e altamente eficaz para otimizar os resultados.
TERCEIRO ERRO
Presença de metais: um catalisador da perda de eficiência
Metais como ferro, cobre e manganês atuam como catalisadores da decomposição do ozônio, reduzindo significativamente sua meia-vida. Além disso, tubulações metálicas antigas podem liberar íons metálicos para a água, comprometendo a estabilidade da névoa ozonizada.
Como evitar:
Utilizar água adequadamente tratada
Empregar materiais compatíveis com o ozônio, como plásticos técnicos e aço inoxidável apropriado
QUARTO ERRO
Ausência de limpeza prévia: quando o ozônio é usado fora do seu propósito
A névoa ozonizada não deve ser encarada como substituta da limpeza convencional. A presença de sujidade e matéria orgânica consome rapidamente o poder oxidante do ozônio, reduzindo sua ação contra microrganismos.
Como evitar:
A limpeza prévia das feridas deve sempre preceder a aplicação da névoa ozonizada, garantindo que o ozônio atue exclusivamente na desinfecção.
Aplicação correta da névoa ozonizada na rotina veterinária
Na prática veterinária, a eficiência da névoa ozonizada está diretamente relacionada ao controle rigoroso dos parâmetros técnicos. Quando corretamente aplicada, essa tecnologia oferece benefícios claros:
Alta eficiência sanitizante
Segurança para profissionais e animais
Redução do uso de agentes químicos agressivos
Alinhamento com práticas sustentáveis de biossegurança
Eficiência da névoa ozonizada depende de controle técnico.
A eficácia da névoa ozonizada está condicionada a cuidados técnicos simples, porém essenciais. O uso de água adequada, o controle da temperatura, a ausência de metais, a utilização imediata após a geração e a correta preparação das superfícies são fatores determinantes para o sucesso do processo.
Quando esses princípios são respeitados, a névoa ozonizada revela todo o seu potencial como uma ferramenta segura, eficiente e sustentável de sanitização em ambientes veterinários.
Autoria:
M.V. Liangrid Nunes. B. Rodrigues
CRMV-SP 61.681
Graduada Medicina Veterinária no Centro Universitário de Jaguariúna (Unifaj); Voluntária no Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares (NEPI) da Unifaj em 2020. Bolsista na Clínica de Pequenos Animais no Hospital Veterinário Unieduk, de Jaguariúna 2020-2022. Aprimoramento em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais pelo Hospital Escola Veterinário de Americana (FAM) (2023 -2024). Ozonioterapeuta veterinária pelo instituto Bioethcus (2025). Assistente de pesquisa e desenvolvimento na Eccovet com foco em Biofotônica e Fotobiomodulação.




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