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Março Amarelo Pet: Doença Renal em Cães e Gatos e o Papel da Ozonioterapia e Fototerapia no Manejo Integrativo

É uma campanha de conscientização sobre as doenças renais em cães e gatos, enfermidades silenciosas, progressivas e de alta prevalência, especialmente em pacientes geriátricos. Os rins exercem funções essenciais na manutenção da homeostase, incluindo filtração de metabólitos tóxicos, regulação do equilíbrio hídrico e eletrolítico, controle da pressão arterial e produção de eritropoietina. A perda da função renal resulta no acúmulo de toxinas urêmicas, desencadeando alterações sistêmicas que impactam diretamente a qualidade de vida do paciente.

Os sinais clínicos costumam surgir apenas em fases mais avançadas da doença, quando já houve perda significativa da taxa de filtração glomerular. Entre os achados mais comuns estão poliúria, polidipsia, perda de peso, hiporexia ou anorexia, vômitos, halitose urêmica e letargia. Em felinos, a apresentação é frequentemente mais discreta, o que reforça a importância do check-up laboratorial anual a partir dos sete anos de idade.

O diagnóstico baseia-se na associação entre exame clínico e exames complementares, como ureia, creatinina, SDMA, urinálise com avaliação da densidade urinária, mensuração da pressão arterial e ultrassonografia renal. A detecção precoce permite instituir medidas terapêuticas capazes de retardar a progressão da doença e melhorar a sobrevida.

Manejo convencional e a necessidade de uma abordagem integrativa

Embora a doença renal crônica não tenha cura, o manejo adequado permite estabilizar o paciente e promover melhor qualidade de vida. O tratamento inclui dieta renal específica, controle da hiperfosfatemia, fluidoterapia, uso de nefroprotetores, controle da proteinúria e monitoramento periódico.

Nesse contexto, a medicina integrativa surge como importante aliada, atuando na modulação inflamatória, no suporte metabólico e na melhora da perfusão tecidual. Entre as terapias adjuvantes com maior aplicabilidade clínica destacam-se a ozonioterapia e a fotobiomodulação.

Ozonioterapia como suporte metabólico e antioxidante


A ozonioterapia tem sido empregada como terapia complementar em pacientes renais devido à sua ação na modulação do estresse oxidativo e na melhora da oxigenação tecidual. O ozônio medicinal estimula o sistema antioxidante endógeno, reduz mediadores inflamatórios e favorece a microcirculação, fatores fundamentais em um órgão altamente vascularizado como o rim.

Em pacientes com doença renal crônica, a ozonioterapia pode contribuir para:

  • Redução do processo inflamatório sistêmico

  • Melhora da perfusão renal

  • Suporte ao metabolismo celular

  • Estímulo à capacidade antioxidante

As vias sistêmicas, como a auto-hemoterapia ozonizada e a insuflação retal, são as mais utilizadas na rotina veterinária, sempre respeitando o estadiamento IRIS e a condição clínica individual. Como terapia adjuvante, seu objetivo não é reverter a lesão renal estabelecida, mas auxiliar na estabilização do paciente e na manutenção da homeostase.

Fotobiomodulação e ILIB na modulação inflamatória e microcirculatória


A fotobiomodulação, atua diretamente na atividade mitocondrial, promovendo aumento da produção de ATP, melhora da oxigenação tecidual e modulação do estresse oxidativo. Esses efeitos são particularmente relevantes em pacientes renais, nos quais há comprometimento metabólico e inflamação crônica de baixo grau.

A aplicação sistêmica do ILIB contribui para o equilíbrio imunológico e metabólico, enquanto a aplicação local na topografia renal pode favorecer a microcirculação e o suporte funcional do tecido remanescente. Entre os principais benefícios observados estão:

  • Modulação da inflamação sistêmica

  • Redução do estresse oxidativo

  • Melhora da perfusão tecidual

  • Suporte ao metabolismo celular

Assim como a ozonioterapia, a fotobiomodulação não substitui o tratamento convencional, mas potencializa a resposta clínica e contribui para o bem-estar do paciente.

A importância do acompanhamento contínuo

Pacientes com doença renal crônica necessitam de monitoramento periódico, ajustes terapêuticos individualizados e abordagem multidisciplinar. A integração entre medicina convencional e terapias como ozonioterapia e fotobiomodulação amplia as possibilidades de manejo, com foco na qualidade de vida, estabilidade clínica e longevidade.

Referências Bibliográficas

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MV.Esp Indna S. Zenerato

CRMV-SP 46.140 Graduada em Medicina Veterinária pelo Centro Universitário de Jaguariúna (UNIFAJ). Especialista em Equipamentos Eletromédicos, com pós-graduação em Neurologia de Pequenos Animais e em Medicina Integrativa.

Membro sócia-fundadora da Associação Brasileira de Fototerapia Veterinária (ABRAFVET), atua como Especialista Científico e Educacional Eccovet e é professora convidada em cursos de pós-graduação da Faculdade ANCLIVEPA e SALITAS.Criadora da ZENIAVET, a primeira plataforma de Medicina Integrativa Veterinária do Brasil, já treinou mais de 3 mil médicos-veterinários, além de conduzir mentorias em nível nacional e internacional.

 
 
 

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