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Feridas Complexas em Animais: O Papel da Fototerapia na Recuperação Tecidual

As feridas complexas representam um grande desafio na Medicina Veterinária, especialmente em animais resgatados, que frequentemente apresentam lesões extensas, contaminadas e associadas a quadros sistêmicos debilitantes. Entre as abordagens terapêuticas adjuvantes mais eficazes na atualidade, destaca-se a fototerapia, uma ferramenta segura, não invasiva e com forte respaldo científico.

O que são Feridas Complexas?

Feridas complexas são aquelas que apresentam uma ou mais das seguintes características:

  • Extensa perda tecidual

  • Contaminação ou infecção ativa

  • Presença de necrose

  • Comprometimento vascular

  • Cicatrização retardada

  • Associação com doenças sistêmicas

Como a Fototerapia Atua na Cicatrização?

A fototerapia (laser e/ou LED terapêutico) promove efeitos biológicos através da interação da luz com os tecidos, fenômeno conhecido como fotobiomodulação.

Seus principais mecanismos incluem:

  • Estímulo mitocondrial com aumento da produção de ATP

  • Modulação do processo inflamatório

  • Aumento da microcirculação local

  • Estímulo à angiogênese

  • Proliferação de fibroblastos

  • Aumento da síntese de colágeno

  • Ação analgésica

Esses efeitos são essenciais em feridas extensas e contaminadas, pois aceleram a formação de tecido de granulação saudável e reduzem o tempo total de cicatrização.

Por que Utilizar Fototerapia em Feridas Complexas?

A fototerapia é especialmente indicada em:

  • Feridas por miíase

  • Úlceras extensas

  • Lesões traumáticas

  • Feridas cirúrgicas com deiscência

  • Escaras

  • Dermatites ulcerativas

Além de ser:

  • Técnica não invasiva

  • Indolor

  • Segura

  • Aplicável em diferentes espécies


No artigo de blog de hoje trouxemos um caso de um cão de resgate com uma ferida complexa com miíase associada atendido no Instituto Paula Lopes localizado em Porto Alegre-RS.


Caso Clínico


Situação Inicial:

  • Animal debilitado

  • Presença de grande quantidade de larvas

  • Área extensa de perda tecidual

  • Inflamação intensa











Conduta terapêutica adotada:

✔ Remoção completa das larvas

✔ Limpeza e debridamento da ferida

✔ Aplicação de pomada cicatrizante

✔ Uso de óleo ozonizado como agente antimicrobiano e regenerador

✔ Protocolo de fototerapia associado



A associação entre a limpeza adequada, o controle microbiano com o óleo ozonizado e a aplicação da fototerapia proporcionou:

  • Redução significativa do edema

  • Controle do processo inflamatório

  • Formação rápida de tecido de granulação

  • Evolução progressiva da cicatrização

  • Melhora evidente do conforto do paciente

A fototerapia atuou como ferramenta estratégica para acelerar a regeneração tecidual, especialmente em um paciente com condição inicial grave.


Associação da Fototerapia com Ozonioterapia Tópica

O uso do óleo ozonizado potencializa o tratamento devido às suas propriedades:

  • Antimicrobiana

  • Antifúngica

  • Moduladora inflamatória

  • Estimuladora da oxigenação tecidual

Quando associada à fototerapia, ocorre uma sinergia terapêutica importante, promovendo:

  • Ambiente favorável à cicatrização

  • Redução de carga microbiana

  • Melhor organização do tecido cicatricial



    Protocolos de Fototerapia Utilizados no Caso Clínico

    A conduta terapêutica foi estruturada de forma segmentada, considerando a extensão da lesão cutânea, o processo inflamatório profundo e o desconforto articular apresentado pelo paciente.


    Tratamento da Ferida (Área com Miíase)

    Para estímulo da cicatrização e modulação inflamatória local, foi instituído protocolo com:

    • Luz azul, vermelha associada ao infravermelho

    • Dose: 5 Joules por ponto

    • Frequência: aplicações em dias alternados (dia sim, dia não)

    O objetivo principal foi estimular a formação de tecido de granulação, promover angiogênese, aumentar a síntese de colágeno e acelerar o fechamento da lesão, além de reduzir o risco de infecção secundária.

    Processo Inflamatório Interno – Região de Canela

    Devido à presença de inflamação profunda na região da canela, o protocolo foi ajustado para maior aporte energético:

    • Luz vermelha + infravermelho

    • Dose: 8 Joules por ponto

    Nesta fase, a estratégia focou na modulação inflamatória profunda, melhora da microcirculação local e redução de edema interno, favorecendo a recuperação tecidual estrutural.

    Dor e Inflamação Articular

    Considerando o quadro de desconforto articular associado ao trauma e ao processo inflamatório sistêmico, foi instituído protocolo analgésico e anti-inflamatório com:

    • Luz vermelha + infravermelho

    • Dose: 10 Joules por ponto

    Até essa data, observou-se redução nítida do edema articular, regressão do processo inflamatório e ausência de sinais clínicos de dor ou desconforto à manipulação.

    Evolução Clínica

    A progressão terapêutica demonstrou resposta satisfatória ao protocolo de fotobiomodulação, com:

    • Redução significativa do edema

    • Controle da inflamação superficial e profunda

    • Melhora do conforto do paciente

    • Aceleração da cicatrização

    A individualização das doses conforme a profundidade e o objetivo terapêutico foi determinante para o sucesso clínico do caso.


Fotos do animal logo após 15 sessões
Fotos do animal logo após 15 sessões



















Considerações Finais


O manejo de feridas complexas exige abordagem multimodal. A fototerapia não substitui os cuidados básicos de limpeza e controle de infecção, mas é uma poderosa aliada para acelerar a regeneração e melhorar o prognóstico.

Casos como esse reforçam a importância da integração entre técnicas modernas, como a fotobiomodulação, e terapias complementares como o uso de óleo ozonizado.

A Medicina Veterinária Integrativa vem transformando desfechos clínicos, especialmente em pacientes resgatados que necessitam de intervenções intensivas e humanizadas. Sobre o Instituto Paula Lopes:

É uma organização dedicada à causa animal que consolidou sua atuação ao longo de mais de 26 anos de dedicação de sua fundadora, Paula Lopes. O que hoje é uma estrutura robusta de amparo, oficializando-se como Instituto em 2018. O Instituto direciona sua expertise para situações de alta complexidade e para tutores que não possuem recursos financeiros.

O foco não são consultas de rotina, mas sim casos graves que envolvem amputações e cuidados com cães paralíticos. Além de atendimento exclusivo para animais de pessoas de baixa renda que não conseguem arcar com custos veterinários particulares.

Ao longo de sua trajetória, estima-se que mais de 10 mil animais já tenham recebido assistência da equipe.


MV.Esp Indna S. Zenerato

CRMV-SP 46.140 Graduada em Medicina Veterinária pelo Centro Universitário de Jaguariúna (UNIFAJ). Especialista em Equipamentos Eletromédicos, com pós-graduação em Neurologia de Pequenos Animais e em Medicina Integrativa.

Membro sócia-fundadora da Associação Brasileira de Fototerapia Veterinária (ABRAFVET), atua como Especialista Científico e Educacional Eccovet e é professora convidada em cursos de pós-graduação da Faculdade ANCLIVEPA e SALITAS. Criadora da ZENIAVET, a primeira plataforma de Medicina Integrativa Veterinária do Brasil, já treinou mais de 3 mil médicos-veterinários, além de conduzir mentorias em nível nacional e internacional.


 
 
 

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