Quem pode usar LASER na medicina veterinária no Brasil?
- Liangrid Nunes Barroso Rodrigues
- 13 de fev.
- 4 min de leitura
O uso do laser terapêutico na medicina veterinária tem se consolidado como uma ferramenta importante em diferentes áreas clínicas, da reabilitação à dermatologia. À medida que a tecnologia se torna mais acessível, cresce também a necessidade de clareza sobre seus limites legais, indicações corretas e responsabilidades profissionais.
Nesse contexto, surgem dúvidas frequentes sobre quem está legalmente autorizado a utilizar laser em animais no Brasil, qual é o papel do médico-veterinário e até onde podem atuar técnicos e outros profissionais.
Este artigo reúne o entendimento legal, científico e prático sobre o tema, à luz das normas do CFMV/CRMVs e da literatura veterinária.
O LASER é considerado ato médico veterinário?

Sim.
No Brasil, o uso terapêutico do laser em animais é considerado ATO MÉDICO-VETERINÁRIO, pois envolve tomada de decisão clínica e interferência direta em processos fisiológicos.
O laser não é classificado como um procedimento simples porque:
interfere em processos celulares e inflamatórios
pode causar danos térmicos e oculares se mal utilizado
exige avaliação de indicação, dose e contraindicações
depende de diagnóstico e acompanhamento clínico
Portanto, seu uso está diretamente vinculado à responsabilidade profissional do médico-veterinário.
Quem pode utilizar laser em medicina veterinária?
Médico-veterinário
O médico-veterinário é o profissional legalmente habilitado a indicar, prescrever e responder pelo uso do laser em animais, desde que:
esteja regularmente inscrito no CRMV
atue em estabelecimento veterinário regularizado
assuma responsabilidade técnica pelo paciente
Isso inclui o uso de:
laser de baixa intensidade (fotobiomodulação)
laser cirúrgico
laser aplicado em:
reabilitação
controle da dor
feridas e cicatrização
dermatologia
ortopedia, entre outras áreas
Técnicos e auxiliares podem aplicar laser?
Essa é uma dúvida comum na rotina clínica.

🔹 Entendimento prático adotado no Brasil
Técnicos, auxiliares e profissionais de apoio podem operar o equipamento, mas não podem prescrever, indicar ou decidir o tratamento, desde que:
atuem sob supervisão direta de um médico-veterinário
sigam protocolo previamente definido e assinado pelo veterinário
não realizem diagnóstico nem decisão terapêutica independente
📌 Exemplo permitido:
O médico-veterinário avalia o paciente, define o diagnóstico e prescreve o laser (parâmetros, área e frequência).
O técnico executa a aplicação conforme orientação.
📌 Exemplo não permitido:
O técnico decide utilizar laser, escolhe parâmetros e aplica sem prescrição veterinária.
E profissionais de outras áreas da saúde?
❌ Não podem utilizar laser em animais de forma independente.
Isso inclui, por exemplo:
fisioterapeutas humanos
esteticistas
terapeutas ou outros profissionais não veterinários
Mesmo que:
utilizem laser em humanos
tenham cursos de laserterapia
o equipamento seja de baixa potência
👉 Nessas situações, caracteriza-se exercício ilegal da medicina veterinária.
O que a literatura científica reforça?
A literatura internacional é clara ao classificar o laser como um recurso terapêutico que exige formação veterinária.
Livros-texto como:
Veterinary Laser Therapy in Small Animal Practice de María Suárez Redondo, Bryan J. Stephens
Laser Therapy in Veterinary Medicine Christopher J. Winkler, Lisa A. Miller
destacam que o uso do laser envolve:
indicação clínica baseada em diagnóstico
conhecimento de fisiopatologia animal
diferenças de resposta entre espécies
avaliação de riscos específicos, como:
lesões de retina
uso em áreas tumorais
inflamação ativa
Essas obras também reforçam que técnicos atuam como executores, não como decisores terapêuticos.
É obrigatório ter curso para usar laser?
❗ Atualmente, não existe um título nacional obrigatório específico para o uso de laser em medicina veterinária.
No entanto, isso não elimina a responsabilidade do médico-veterinário.
Do ponto de vista ético, civil e legal:
o profissional responde integralmente pelo tratamento
a falta de capacitação não o isenta de culpa em caso de dano
📌 Na prática responsável, recomenda-se:
cursos em laser e fotobiomodulação
treinamento em segurança (classe do laser, óculos, riscos ocupacionais)
atualização científica contínua
análise crítica da literatura
Por que o laser exige critério clínico?
O laser não é um recurso inócuo.
Erros comuns podem gerar consequências clínicas relevantes:
erro de dose → ausência de efeito ou resposta biológica oposta
erro de indicação → atraso terapêutico ou mascaramento de doença
falhas de segurança → lesão ocular permanente
Parte do uso inadequado do laser está associada a:
marketing excessivamente simplificado de equipamentos
cursos rápidos sem base fisiológica
confusão entre “luz” e “segurança absoluta”
Esses conceitos não são sustentados pela ciência.
O laser é uma ferramenta valiosa na medicina veterinária moderna, mas seu uso exige conhecimento técnico, critério clínico e responsabilidade legal.
A indicação e a prescrição são atos exclusivos do médico-veterinário, enquanto técnicos e auxiliares podem atuar apenas na execução, sob supervisão.
Respeitar esses limites protege o paciente, o profissional e a credibilidade da medicina veterinária.
Autoria:
M.V. Liangrid Nunes. B. Rodrigues
CRMV-SP 61.681
Graduada Medicina Veterinária no Centro Universitário de Jaguariúna (Unifaj); Voluntária no Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares (NEPI) da Unifaj em 2020. Bolsista na Clínica de Pequenos Animais no Hospital Veterinário Unieduk, de Jaguariúna 2020-2022. Aprimoramento em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais pelo Hospital Escola Veterinário de Americana (FAM) (2023 -2024). Ozonioterapeuta veterinária pelo instituto Bioethcus (2025). Assistente de pesquisa e desenvolvimento na Eccovet com foco em Biofotônica e Fotobiomodulação.




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