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Quem pode usar LASER na medicina veterinária no Brasil?

O uso do laser terapêutico na medicina veterinária tem se consolidado como uma ferramenta importante em diferentes áreas clínicas, da reabilitação à dermatologia. À medida que a tecnologia se torna mais acessível, cresce também a necessidade de clareza sobre seus limites legais, indicações corretas e responsabilidades profissionais.

Nesse contexto, surgem dúvidas frequentes sobre quem está legalmente autorizado a utilizar laser em animais no Brasil, qual é o papel do médico-veterinário e até onde podem atuar técnicos e outros profissionais.


Este artigo reúne o entendimento legal, científico e prático sobre o tema, à luz das normas do CFMV/CRMVs e da literatura veterinária.

O LASER é considerado ato médico veterinário?
M.V. Laura Chrispim Reisfeld.
M.V. Laura Chrispim Reisfeld.

Sim.


 No Brasil, o uso terapêutico do laser em animais é considerado ATO MÉDICO-VETERINÁRIO, pois envolve tomada de decisão clínica e interferência direta em processos fisiológicos.

O laser não é classificado como um procedimento simples porque:


  • interfere em processos celulares e inflamatórios

  • pode causar danos térmicos e oculares se mal utilizado

  • exige avaliação de indicação, dose e contraindicações

  • depende de diagnóstico e acompanhamento clínico


Portanto, seu uso está diretamente vinculado à responsabilidade profissional do médico-veterinário.



Quem pode utilizar laser em medicina veterinária?

Médico-veterinário


O médico-veterinário é o profissional legalmente habilitado a indicar, prescrever e responder pelo uso do laser em animais, desde que:

  • esteja regularmente inscrito no CRMV

  • atue em estabelecimento veterinário regularizado

  • assuma responsabilidade técnica pelo paciente

Isso inclui o uso de:

  • laser de baixa intensidade (fotobiomodulação)

  • laser cirúrgico

  • laser aplicado em:

    • reabilitação

    • controle da dor

    • feridas e cicatrização

    • dermatologia

    • ortopedia, entre outras áreas


Técnicos e auxiliares podem aplicar laser?

Essa é uma dúvida comum na rotina clínica.



Laser 18 diodos - Pure 18. Eccovet.2026
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🔹 Entendimento prático adotado no Brasil


Técnicos, auxiliares e profissionais de apoio podem operar o equipamento, mas não podem prescrever, indicar ou decidir o tratamento, desde que:


  • atuem sob supervisão direta de um médico-veterinário

  • sigam protocolo previamente definido e assinado pelo veterinário

  • não realizem diagnóstico nem decisão terapêutica independente


📌 Exemplo permitido:

 O médico-veterinário avalia o paciente, define o diagnóstico e prescreve o laser (parâmetros, área e frequência).

 O técnico executa a aplicação conforme orientação.


📌 Exemplo não permitido:

 O técnico decide utilizar laser, escolhe parâmetros e aplica sem prescrição veterinária.


E profissionais de outras áreas da saúde?

Não podem utilizar laser em animais de forma independente.

Isso inclui, por exemplo:


  • fisioterapeutas humanos

  • esteticistas

  • terapeutas ou outros profissionais não veterinários


Mesmo que:


  • utilizem laser em humanos

  • tenham cursos de laserterapia

  • o equipamento seja de baixa potência


👉 Nessas situações, caracteriza-se exercício ilegal da medicina veterinária.


O que a literatura científica reforça?

A literatura internacional é clara ao classificar o laser como um recurso terapêutico que exige formação veterinária.

Livros-texto como:


  • Veterinary Laser Therapy in Small Animal Practice de María Suárez Redondo, Bryan J. Stephens

  • Laser Therapy in Veterinary Medicine Christopher J. Winkler, Lisa A. Miller


destacam que o uso do laser envolve:


  • indicação clínica baseada em diagnóstico

  • conhecimento de fisiopatologia animal

  • diferenças de resposta entre espécies

  • avaliação de riscos específicos, como:

    • lesões de retina

    • uso em áreas tumorais

    • inflamação ativa

Essas obras também reforçam que técnicos atuam como executores, não como decisores terapêuticos.


É obrigatório ter curso para usar laser?

❗ Atualmente, não existe um título nacional obrigatório específico para o uso de laser em medicina veterinária.

No entanto, isso não elimina a responsabilidade do médico-veterinário.

Do ponto de vista ético, civil e legal:


  • o profissional responde integralmente pelo tratamento

  • a falta de capacitação não o isenta de culpa em caso de dano

📌 Na prática responsável, recomenda-se:

  • cursos em laser e fotobiomodulação

  • treinamento em segurança (classe do laser, óculos, riscos ocupacionais)

  • atualização científica contínua

  • análise crítica da literatura


Por que o laser exige critério clínico?

O laser não é um recurso inócuo.

Erros comuns podem gerar consequências clínicas relevantes:


  • erro de dose → ausência de efeito ou resposta biológica oposta

  • erro de indicação → atraso terapêutico ou mascaramento de doença

  • falhas de segurança → lesão ocular permanente


Parte do uso inadequado do laser está associada a:

  • marketing excessivamente simplificado de equipamentos

  • cursos rápidos sem base fisiológica

  • confusão entre “luz” e “segurança absoluta”

Esses conceitos não são sustentados pela ciência.


O laser é uma ferramenta valiosa na medicina veterinária moderna, mas seu uso exige conhecimento técnico, critério clínico e responsabilidade legal.


A indicação e a prescrição são atos exclusivos do médico-veterinário, enquanto técnicos e auxiliares podem atuar apenas na execução, sob supervisão.


 Respeitar esses limites protege o paciente, o profissional e a credibilidade da medicina veterinária.


Autoria:

M.V. Liangrid Nunes. B. Rodrigues

CRMV-SP 61.681

Graduada Medicina Veterinária no Centro Universitário de Jaguariúna (Unifaj); Voluntária no Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares (NEPI) da Unifaj em 2020. Bolsista na Clínica de Pequenos Animais no Hospital Veterinário Unieduk, de Jaguariúna 2020-2022. Aprimoramento em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais pelo Hospital Escola Veterinário de Americana (FAM) (2023 -2024). Ozonioterapeuta veterinária pelo instituto Bioethcus (2025). Assistente de pesquisa e desenvolvimento na Eccovet com foco em Biofotônica e Fotobiomodulação.

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