top of page

Laser terapêutico na osteoartrite em cães: vale a pena na prática clínica?

Articulação tibiotársica em cão. Laser . Osteoartrite
Articulação Tibiotársica em sessão de Laser. Nota: Imagem meramente ilustrativa. Não corresponde a anatomia real. 2026

A osteoartrite em cães é uma condição crônica, dolorosa e progressiva, com impacto direto na mobilidade e na qualidade de vida. Nos últimos anos, o laser terapêutico passou a ganhar espaço como recurso adjuvante, principalmente por seu potencial de reduzir dor e melhorar função sem aumentar a dependência de medicamentos sistêmicos [1][2].

 

De modo geral, os estudos clínicos mostram que a fotobiomodulação, incluindo o laser de baixa intensidade (Classe III) e o laser de alta intensidade (Classe IV), pode promover melhora de dor, marcha e atividade em cães com osteoartrite [1][2][3]. O Classe III atua com menor potência e é amplamente utilizado para modulação inflamatória, analgesia e estímulo biológico tecidual. Já o Classe IV apresenta maior potência e maior penetração nos tecidos, o que pode favorecer respostas mais rápidas e mais intensas em articulações e estruturas mais profundas [3][4].

 

Na osteoartrite, essa diferença é clinicamente relevante: o Classe III costuma ser associado a protocolos conservadores e analgesia gradual, enquanto o Classe IV tende a ser mais interessante em pacientes com dor mais intensa, quadros crônicos avançados ou necessidade de atingir tecidos profundos com maior eficiência [3][4]. Embora ambos sejam considerados seguros e eficazes, ainda faltam protocolos totalmente padronizados para definir quando um supera o outro de forma consistente [2][4].

 

Outro ponto favorável é a segurança. A literatura disponível descreve o laser terapêutico como uma modalidade bem tolerada, com poucos efeitos adversos relevantes quando aplicado corretamente [1][4]. Isso reforça seu valor como parte de protocolos multimodais de manejo da dor.

 

Apesar dos resultados promissores, ainda existe um desafio importante: a falta de padronização. Há grande variação entre os estudos quanto ao comprimento de onda, dose, frequência das sessões e tempo total de tratamento, o que dificulta comparar resultados e definir um protocolo universal [3][4]. Em linhas gerais, as faixas mais utilizadas concentram-se entre 780 e 905 nm, com aplicações seriadas ao longo de algumas semanas [3].

 

Na prática, o laser parece funcionar melhor quando não é usado isoladamente. A associação com reabilitação física, PRP e outras abordagens complementares pode ampliar e prolongar os efeitos clínicos, sobretudo em casos de osteoartrite moderada a grave [5][6].

 

Em resumo, o laser terapêutico é uma ferramenta promissora, segura e cada vez mais útil na rotina veterinária. Ele não substitui o tratamento multimodal da osteoartrite, mas pode ser um aliado importante para reduzir dor, melhorar mobilidade e oferecer mais conforto ao paciente [2][5][6].



Referências

[1] BARALE, L.; MONTICELLI, P.; RAVIOLA, M.; ADAMI, C. Preliminary clinical experience of low-level laser therapy for the treatment of canine osteoarthritis-associated pain: a retrospective investigation on 17 dogs. Open Veterinary Journal, v. 10, n. 1, 2020. DOI: 10.4314/OVJ.V10I1.16.

 

[2] ALVES, J. C.; SANTOS, A.; JORGE, P.; CARREIRA, L. M. A randomized double-blinded controlled trial on the effects of photobiomodulation therapy in dogs with osteoarthritis. American Journal of Veterinary Research, 2022. DOI: 10.2460/ajvr.22.03.0036.

 

 

[4] BARGER, B. K.; BISGES, A. M.; FOX, D. B.; TORRES, B. Low-level laser therapy for osteoarthritis treatment in dogs at Missouri veterinary practices. Journal of the American Animal Hospital Association, 2020. DOI: 10.5326/JAAHA-MS-6851.

 

 

Comentários


bottom of page