top of page

Como a fotobiomodulação pode auxiliar em casos de osteoartrite em cães e gatos?

há 3 horas
4 min de leitura

A osteoartrite (OA) é uma das afecções musculoesqueléticas mais frequentes em cães e gatos e está associada à dor crônica, redução da mobilidade e alterações progressivas nas articulações. Por se tratar de uma condição multifatorial e de evolução crônica, seu manejo geralmente envolve uma abordagem multimodal, que pode incluir controle de peso, exercícios e reabilitação, medicamentos e outras terapias complementares. Nesse contexto, a fotobiomodulação vem sendo estudada como uma ferramenta auxiliar no controle da dor e na melhora da função locomotora.

A fotobiomodulação, anteriormente conhecida em muitos contextos como laserterapia de baixa intensidade, utiliza fontes de luz, como laser e LED, em parâmetros específicos para produzir efeitos biológicos nos tecidos. A interação da luz com estruturas celulares pode desencadear respostas fotoquímicas capazes de influenciar processos relacionados ao metabolismo celular, inflamação, dor e reparação tecidual.

O que acontece na osteoartrite?

A osteoartrite não deve ser entendida apenas como uma doença da cartilagem. Trata-se de uma condição que envolve diferentes estruturas da articulação, incluindo cartilagem, osso subcondral, membrana sinovial, cápsula articular, ligamentos e tecidos periarticulares.

A inflamação e as alterações biomecânicas associadas à doença podem contribuir para a sensibilização dos tecidos e para o desenvolvimento de dor persistente. Em cães e gatos, isso pode ser observado por sinais como dificuldade para levantar, redução da atividade física, dificuldade para subir ou saltar, alterações na marcha e menor interação com o ambiente.

O objetivo do tratamento é controlar a dor, preservar a função e promover qualidade de vida, reduzindo o impacto da doença sobre a rotina do animal.

Como a fotobiomodulação atua?

Os efeitos da fotobiomodulação dependem de fatores como comprimento de onda, potência, irradiância, energia, fluência, tempo de aplicação e características do tecido-alvo. Por isso, a escolha dos parâmetros deve ser individualizada de acordo com o objetivo terapêutico e as características do paciente.

Um dos mecanismos mais estudados envolve a interação da luz com cromóforos celulares, especialmente componentes associados às mitocôndrias. A absorção da energia luminosa pode influenciar a atividade mitocondrial e a produção de ATP, contribuindo para alterações no metabolismo celular.

Além disso, estudos experimentais sugerem que a fotobiomodulação pode modular mediadores envolvidos na resposta inflamatória e na percepção da dor. Esses efeitos podem contribuir para a redução da resposta inflamatória local e para a modulação da dor em diferentes condições musculoesqueléticas.

É importante destacar que a fotobiomodulação não deve ser interpretada como um tratamento que simplesmente “elimina a inflamação”. Seu efeito terapêutico está relacionado à modulação de processos biológicos, e a resposta pode variar conforme dose, tecido tratado, condição clínica e características individuais do paciente.

Fotobiomodulação e controle da dor

A dor é uma das principais consequências clínicas da osteoartrite e pode limitar significativamente a movimentação do animal. A fotobiomodulação pode atuar como recurso complementar em protocolos destinados à modulação da dor musculoesquelética.

Entre os mecanismos propostos estão alterações na atividade de células e mediadores inflamatórios, modulação da excitabilidade neural e influência sobre processos relacionados à sensibilização dolorosa.

Na prática clínica, a utilização da fotobiomodulação pode ser associada a estratégias de reabilitação e exercício terapêutico. A redução da dor pode facilitar a participação do animal em atividades de reabilitação, contribuindo para a manutenção ou recuperação da função.

A fotobiomodulação substitui medicamentos?

Não. A osteoartrite é uma doença crônica e multifatorial, e seu manejo deve ser individualizado. A fotobiomodulação pode ser utilizada como terapia complementar, dentro de uma abordagem multimodal.

Diretrizes internacionais para o manejo da osteoartrite em cães e gatos destacam a importância de estratégias integradas, que podem envolver controle de peso, atividade física adequada, reabilitação, intervenções ambientais, analgesia e outras medidas conforme a necessidade de cada paciente.

Nesse contexto, a fotobiomodulação pode ser incorporada ao plano terapêutico quando considerada apropriada pelo médico-veterinário.

Fotobiomodulação como parte de uma abordagem multimodal

Na osteoartrite, a utilização isolada de uma única modalidade terapêutica nem sempre é suficiente para atender todas as necessidades do paciente. A abordagem multimodal permite trabalhar diferentes componentes da doença, considerando dor, inflamação, mobilidade, força muscular, peso corporal e qualidade de vida.

A fotobiomodulação pode, portanto, integrar protocolos de reabilitação veterinária juntamente com exercícios terapêuticos, técnicas de fisioterapia e outras modalidades indicadas para cada caso.

O objetivo não é apenas reduzir um sinal clínico momentaneamente, mas contribuir para que o animal mantenha sua capacidade funcional e qualidade de vida ao longo do acompanhamento.

Conclusão

A fotobiomodulação apresenta potencial como recurso complementar no manejo da osteoartrite em cães e gatos. Seus efeitos biológicos estão relacionados à modulação de processos celulares e teciduais envolvidos na dor, inflamação e reparação, podendo contribuir para o conforto e a função do paciente quando utilizada de forma adequada.

Entretanto, os resultados dependem da correta seleção dos parâmetros, da condição clínica e da integração da técnica a um plano terapêutico individualizado. Na osteoartrite, a fotobiomodulação deve ser compreendida como parte de uma estratégia multimodal, e não como substituta das demais medidas terapêuticas.

Para a medicina veterinária, o avanço das pesquisas em fotobiomodulação reforça a importância de protocolos baseados em evidências e da capacitação profissional para utilizar a tecnologia de maneira segura, racional e individualizada.


Referências bibliográficas

ENGLAND, G. C. W. et al. BSAVA guidelines on canine and feline arthritis. Gloucester: British Small Animal Veterinary Association, 2022.

GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de fisiologia médica. Rio de Janeiro: Elsevier.

LOPES, L. A. et al. Low-level laser therapy and its effects on the inflammatory process and pain. Photomedicine and Laser Surgery, diversos estudos sobre mecanismos e aplicações da fotobiomodulação.

MILLIS, D. L.; LEVINE, D. Canine Rehabilitation and Physical Therapy. 2. ed. St. Louis: Elsevier, 2014.

MILLIS, D. L.; LEVINE, D. Canine Rehabilitation and Physical Therapy. 3. ed. St. Louis: Elsevier, 2023.

ROBERTSON, S. A. et al. AAFP and ISFM feline pain management guidelines. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 18, n. 3, p. 182–204, 2016.

RYAN, T. et al. Clinical efficacy of low-level laser therapy in dogs with osteoarthritis: a systematic review and meta-analysis. Veterinary Sciences, estudos sobre a utilização da fotobiomodulação no manejo da dor e osteoartrite.

TAYLOR, S. et al. 2022 ISFM/AAFP Cat Friendly Veterinary Environment Guidelines. Journal of Feline Medicine and Surgery, 2022.

WALTZ, M. C.; NARAYANAN, V. et al. Photobiomodulation: mechanisms and clinical applications. Photomedicine and Laser Surgery, literatura sobre mecanismos celulares e aplicações terapêuticas da fotobiomodulação.

 
 
 

Comentários


bottom of page