top of page

Fototerapia e Gestação: O Que Você Precisa Saber

Atualizado: há 5 dias

O que é a fototerapia?


A fototerapia consiste na aplicação de luz terapêutica, geralmente por meio de lasers de baixa intensidade (Low Level Laser Therapy – LLLT) ou LEDs. Essa técnica estimula processos biológicos naturais do organismo. Ela promove aumento da atividade celular, melhora da circulação sanguínea, modulação da inflamação e aceleração da reparação tecidual.


Por ser um tratamento não invasivo e livre de medicamentos, desperta interesse especial em situações onde o uso de fármacos deve ser limitado, como durante a gestação.


Grávida pode fazer fototerapia?


De forma geral, sim, a fototerapia pode ser utilizada durante a gestação, desde que seja realizada por um profissional habilitado e seguindo protocolos adequados. Os estudos disponíveis indicam que a luz utilizada na fotobiomodulação não possui caráter ionizante. Isso significa que não apresenta os mesmos riscos associados à radiação de exames como raios-X. Além disso, a energia aplicada atua superficialmente nos tecidos e não alcança diretamente o feto quando utilizada em regiões distantes do abdômen.


A técnica tem sido empregada para auxiliar no tratamento de dores musculoesqueléticas, lesões, processos inflamatórios e desconfortos comuns durante a gravidez.


O LED pode ser usado em gestantes?


Sim. Os dispositivos de LED terapêutico funcionam com princípios semelhantes aos lasers de baixa intensidade. Eles utilizam comprimentos de onda específicos para estimular respostas biológicas. Até o momento, não existem evidências que demonstrem efeitos adversos do LED terapêutico sobre o desenvolvimento fetal quando utilizado corretamente. Ainda assim, recomenda-se cautela e avaliação individualizada de cada caso.


A fototerapia pode prejudicar ou "cegar" o bebê?


Não. Essa é uma preocupação comum, mas sem fundamento científico quando falamos de fotobiomodulação terapêutica. A luz aplicada durante o tratamento não atravessa o organismo materno em intensidade suficiente para atingir os olhos do feto. Além disso, os comprimentos de onda utilizados são seguros quando empregados dentro dos parâmetros terapêuticos recomendados. O principal cuidado relacionado aos olhos envolve a proteção ocular do paciente e do profissional durante algumas aplicações com laser, independentemente da gestação.


Quais são os efeitos da radiação na gravidez?


É importante diferenciar a radiação ionizante da luz utilizada na fototerapia. A radiação ionizante, presente em exames como tomografias e radiografias, pode causar danos celulares em doses elevadas e requer cuidados especiais durante a gestação. Já a fototerapia utiliza radiação não ionizante, incapaz de alterar o DNA diretamente ou provocar os efeitos associados à radiação ionizante. Por isso, os mecanismos de ação e os riscos são completamente diferentes.


Quando a fototerapia é contraindicada?


Embora seja considerada uma técnica segura, algumas contraindicações e precauções devem ser observadas:


  • Aplicação direta sobre áreas com suspeita ou presença de neoplasias malignas.

  • Uso inadequado sobre a região abdominal ou lombar de gestantes sem avaliação clínica prévia.

  • Aplicação diretamente sobre a glândula tireoide.

  • Exposição ocular sem proteção adequada.

  • Situações em que não haja diagnóstico definido para a condição tratada.


Vale destacar que muitas contraindicações são consideradas relativas e dependem da avaliação profissional e da condição clínica do paciente.


Por que algumas orientações recomendam evitar o laser em gestantes?


Historicamente, a recomendação de evitar aplicações diretamente sobre o abdômen e a região pélvica durante a gravidez surgiu pela ausência de estudos clínicos robustos em gestantes, e não pela comprovação de riscos. Como princípio de precaução, muitos protocolos sugerem evitar aplicações próximas ao útero, especialmente durante o primeiro trimestre gestacional.


Quem pode aplicar a fototerapia?


A fototerapia deve ser aplicada por profissionais capacitados e habilitados conforme a legislação de sua área de atuação. Médicos, fisioterapeutas, dentistas, médicos-veterinários e outros profissionais da saúde podem utilizar a técnica quando devidamente treinados e autorizados pelos respectivos conselhos profissionais. A escolha dos parâmetros corretos — como comprimento de onda, potência, dose e tempo de aplicação — é fundamental para garantir segurança e eficácia.


Como é feita a fototerapia?


O procedimento é simples, indolor e não invasivo. O profissional posiciona o aplicador do laser ou LED sobre a região a ser tratada durante alguns segundos ou minutos, dependendo do protocolo utilizado. Durante a sessão, o paciente normalmente não sente dor, podendo perceber apenas uma leve sensação de calor em alguns casos. O número de sessões varia conforme a condição clínica e os objetivos terapêuticos.


Benefícios da Fototerapia na Gestação


A fototerapia oferece diversos benefícios para gestantes. Ela pode ajudar a aliviar dores, reduzir inflamações e acelerar a recuperação tecidual. Isso é especialmente importante durante a gravidez, quando o uso de medicamentos é frequentemente limitado. A técnica é uma alternativa segura e eficaz para o tratamento de condições comuns que afetam as gestantes.


Além disso, a fototerapia pode ser uma ferramenta valiosa para melhorar a qualidade de vida das mulheres grávidas. Ao proporcionar alívio para desconfortos físicos, ela contribui para um estado emocional mais positivo durante esse período especial.


Considerações Finais


A fototerapia representa uma alternativa terapêutica promissora para gestantes que necessitam de controle da dor, redução da inflamação e estímulo à recuperação tecidual sem recorrer ao uso excessivo de medicamentos. As evidências atuais indicam que a técnica é segura quando aplicada de forma adequada e por profissionais capacitados.


Entretanto, como toda intervenção em pacientes gestantes, a indicação deve ser individualizada. É importante considerar o estágio da gravidez, a condição clínica e os protocolos de segurança vigentes. Profissionais devem sempre estar atentos às necessidades e preocupações de suas pacientes.


Referências


  • Hamblin MR. Photobiomodulation or low-level laser therapy. Journal of Biophotonics. 2016.

  • Bjordal JM, Johnson MI, Iversen V, et al. Low-level laser therapy in acute pain. The Lancet. 2006.

  • Huang YY, Sharma SK, Carroll J, Hamblin MR. Biphasic dose response in low level light therapy. Dose-Response. 2009.

  • World Association for Laser Therapy (WALT). Clinical Practice Guidelines for Photobiomodulation.

  • Anders JJ, Lanzafame RJ, Arany PR. Low-level light/laser therapy versus photobiomodulation therapy. Photomedicine and Laser Surgery. 2015.

 
 
 

Comentários


bottom of page